ANCA

É a maior articulação do corpo humano e região anatómica que faz a ligação da bacia (acetábulo) ao fémur (cabeça do fémur). Para além da parte óssea, apresenta vários componentes associados como a cápsula articular, a cartilagem que reveste as suas superfícies, o labrum (uma estrutura  semelhante aos meniscos do joelho), grandes grupos musculares que são a força para o seu movimento e toda a rede vascular e nervosa que irriga e transmite a informação ao sistema nervoso central. 

Artroscopia da Anca

A Anca é uma articulação particular, quer pela sua biomecânica ou pelo facto de estar numa localização anatómica mais profunda, envolta de grandes e fortes grupos musculares. Estas condicionantes tornam a sua abordagem mais complexa e obrigam a uma curva de aprendizagem mais exigente. Nesta perspectiva e contrariamente a artroscopias de outras articulações, é importante uma grande dedicação e especialização neste tipo de cirurgia.

Uma das duas grandes mais valias da artroscopia da anca é o facto de ser uma Cirurgia Conservadora da Anca, não havendo substituição mas antes uma "correcção" dos seus componentes anatómicos originais.

 

A outra mais valia é o facto de se tratar de uma Cirurgia Minimamente Invasiva. Contrariamente a outras operações da anca, a artroscopia utiliza habitualmente 3 a 4 pequenas incisões de 1 cm, evitando grandes perdas sanguíneas, o doente pode caminhar no dia seguinte à operação e ter alta para domicílio também após as primeiras 24 h após a cirurgia. A reabilitação total varia de caso para caso e dependendo das exigencias do doente, mas normalmente é em média de 2-3 meses.

Cirurgia conservadora da Anca

O termo de Cirurgia Conservadora da Anca vem exactamente neste contexto, ao encontro daquilo que são as exigências e necessidades de um indivíduo jovem. Qualquer cirurgia que preserve a articulação com as suas próprias e originais estruturas anatómicas está a aumentar a longevidade dessa mesma articulação. A cirurgia conservadora da anca tem como objectivo a correcção das deformidades da anca, por forma a diminuir sintomatologia do doente e parar ou atrasar a cascata de destruição da articulação.  Este tipo de cirurgia permite evitar ou protelar a colocação de uma prótese da anca, que como sabemos é um material artificial de substituição com uma duração limitada e outros riscos associados. Esta cirurgia aparece no contexto do adulto jovem pelos motivos acima explicados, mas pode igualmente ser aplicada com o mesmo propósito na criança ou mesmo nas idades mais avançadas de vida.

Anca no adulto-jovem

 

Qual o interesse da "Anca do Adulto Jovem"?

 

Como é sabido, esta articulação ocupa um papel de destaque na comunidade, pela grande incidência que tem de Fracturas ou de Coxartrose, em especial nas faixas etárias avançadas (IDOSO). Na CRIANÇA também nos reporta para os tratamentos específicos de algumas doenças clássicas como são exemplo a Displasia da Anca, Doença de Pherthes ou a Epifisiólise.

 

Desde sempre existiu um grande “gap” no que se refere ao tratamento da patologia da ANCA DO ADULTO JOVEM. A patologia existe, as queixas existem, mas o tratamento para abordar esta problemática foram durante muito tempo, extremamente limitados. O recente estudo e desenvolvimento científico da patologia da anca no adulto jovem permitiu, nos últimos anos, dar uma resposta diagnóstica e de tratamento destas situações

Conflito Femuro-Acetabular

O que é o Conflito Femuro-Acetabular?

É uma condição dinâmica que explica o desenvolvimento de alterações degenerativas da anca com base em deformidades da extremidade proximal do fémur e acetábulo. A associação destas deformidades com determinado tipo de desportos ou mesmo nas próprias actividades de vida diária levam ao "desgaste" da articulação com aparecimento de dor, restrição da mobilidade articular e artrose da anca. Este complexo tema começou por ser explicado através de dois grandes grupos de deformidades: Cam (deformidade na junção do colo com cabeça do fémur) e Pincer (excesso de cobertura acetabular), que pelo conflito mecânico que causam em determinados movimentos da articulação levam ao progressivo desgaste da anca. Com o passar do tempo, e se não corrigidas, estas deformidades destroem o labrum e cartilagem acetabular e da cabeça do fémur resultando, naquilo que bem conhecemos: Coxartrose (destruição da articulação). Esta progressão pode ocorrer de uma forma lenta (ao longo de anos) ou cursar rapidamente em meses, dependendo das exigências que são colocadas à articulação (actividades físicas, excesso ponderal, alterações posturais), da condição do aparelho muscular e características individuais associadas.

Durante a fase adulta, aparecem as doenças que evoluíram do período de criança e começam a formar-se as patologias que vão aparecer e acompanhar o doente no restante período da sua vida. Como tal, pode e deve intervir-se, também na idade adulta jovem, tratando múltiplos casos, para melhorar a qualidade de vida e evitar a progressão destas doenças. 

Das patologias precursoras da artrose da anca nesta faixa etária, aquela que mais destaque merece é o Conflito Femuro-Acetabular. 

Logicamente que este tema, assim como a fisiopatologia da doença degenerativa da anca, não se esgotam de uma forma tão simplista nas deformidades tipo pincer e cam do conflito femuro-acetabular. São conhecidos múltiplos tipos de associações ou alterações e diversas deformidades articulares que são normalmente alvo de estudo para que haja um correcto entendimento das queixas que os doentes apresentam. Só assim é possível concluir sobre cada anca em particular e sua fisiopatologia específica, para que se possa programar o seu tratamento: correcção das deformidades.

Prótese da Anca

Estudo da Anca

O estudo desta articulação implica um amplo conhecimento por parte do médico ortopedista.

Para se estabelecer um diagnostico é essencial a avaliação detalhada através da avaliação clínica e com recurso aos exames de imagem auxiliares de diagnostico apropriados.

​A Avaliação Clínica assenta na colheita da história dos sintomas do doente, com queixas normalmente de dor localizada em locais típicos referidos da anca, assim como de restrição da mobilidade. Prossegue com o respectivo exame físico especifico.

Onde dói a Anca?

 

 

 

 

Tem como avaliaçao base o RX convencional, mas recorre na maior parte dos casos à Ressonância Magnética Nuclear (RMN) ou Tomografia Computorizada (TC) para complementar a informação necessário.

O que é a Artrose da Anca?

 

O termo "artrose" significa degenerescência (destruição) de uma articulação.

A coxartrose é a artrose da articulação da anca. Como qualquer artrose decorre com perda de cartilagem articular, formação de osteófitos ("bicos de papagaio") e deformação dos seus componentes. A artrose origina perda de mobilidade, dor e claudicação. Em última análise quase todas as doenças da anca evoluem com a formação de artrose ("desgaste da articulação"). Como é sabido, após o aparecimento e desenvolvimento de artrose e quando os tratamentos conservadores (não cirúgicos) como a terapêutica anti-inflamatória, fisioterapia... não resultam, poucas são as armas de tratamento. Atingido determinado estádio, a artrose resulta numa enorme incapacidade sobretudo pela dor e a única forma eficaz de resolução é através da substituição dessa mesma articulação (Prótese da Anca). 

O que é uma Prótese da Anca?

Uma prótese é um componente artificial que substitui uma parte anatómica. No caso da anca a substituição com prótese pode ser total (acetábulo e fémur) ou em casos particulares apenas do fémur. A prótese implantada é metálica e os componentes que articulam variam. A duração de uma prótese total da anca ronda em média 15 anos. Esta é a única solução nos casos em que a artrose se encontra num estádio avançado. É uma excelente opção cirúrgica que traz normalmente excelentes resultados funcionais para o doente, e exceptuando determinadas complicações infrequentes é uma das cirurgias da medicina com mais sucesso.

-Material: as proteses são normalmente de ligas metálicas ou de titanio.

-Componentes: a prótese tem habitualmente, um componente acetabular que fixa na parte da bacia e um componente femoral que fixa distalmente no osso femoral. É também composta pela cabeça femoral que encaixa na componente femoral e que faz o deslizamento na componente acetabular (que pode revestir-se de um tipo especial de plástico – o polietileno).

-Fixação: a prótese metálica tem de se fixar ao osso e as duas opções habituais são cimentar a prótese ou não cimentar. Nos doentes com boa capacidade  biológica, recorre se normalmente a próteses não cimentadas.

-Superfícies de contacto: os materiais escolhidos para funcionar como superfícies de deslizamento são muito importantes porque vão determinar o “desgaste” com o passar do tempo e utilização. As opções variam com vantagens e desvantagens de cada par articular e podem ser por exemplo de cerâmica-cerâmica, metal-metal ou metal-polietileno.

-Qual a “marca” da prótese: são  várias  as empresas a nível mundial que produzem as próteses. A escolha desta deve ser baseada na qualidade dos estudos científicos que sustentam a sua eficácia e segurança.

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