TORNOZELO e PÉ

Artroscopia do Tornozelo e Tenoscopia do Retropé

Constituem o elo de ligação do corpo humano ao solo e apresentam características únicas que lhes permitem passar rapidamente de estruturas flexíveis a rígidas. Pela sua complexidade anatómica e biomecânica, são sede frequente de patologia aguda ou crónica.

 

O Tornozelo é composto pelas extremidades distais da tíbia e do perónio, que se articulam com o astrágalo. É revestido por cartilagem hialina, com uma espessura de 1-2mm e que suporta 5-7 vezes o peso corporal (em comparação com 3-4 vezes o joelho e 2-3 vezes a anca, que apresentam maior espessura da cartilagem).

A sua estabilidade é reforçada pelos complexos ligamentares externo, complexo ligamentar interno, sindesmose tibioperonial e estruturas capsulares.

A envolver o tornozelo encontram-se estruturas tendinosas que lhe fornecem estabilidade dinâmica, das quais se destacam os tendões do longo e curto peroniais, tendão de Aquiles, tendão tibial posterior, longo flexor dos dedos e longo flexor do hallux.

 

O é classicamente dividido em três áreas anatómicas. O antepé, composto pelos metatarsos e falanges, o mediopé pelo navicular ou escafoide társico, cubóide e três cunhas e o retropé pelo astrágalo e calcâneo.

Em termos de biomecânica, o pé constitui-se como uma região anatómica complexa, alternando entre o rígido e o flexível, permitindo a adaptação ao solo enquanto o corpo humano se descoloca em diferentes velocidades e direcções. A estabilidade do pé é reforçada por ligamentos internos, externos, superficiais e profundos.

A envolver o pé encontram-se estruturas tendinosa que lhe fornecem estabilidade dinâmica, dos quais se destacam os tendões flexores e extensores dos dedos, tendões do longo e curto peroniais, tendão tibial posterior, longo flexor dos dedos e longo flexor do hallux.

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A artroscopia do tornozelo e a tenoscopia do retropé são procedimentos eficazes que permitem, com mínima morbilidade, o tratamento de patologia intra-articular do tornozelo e também dos tendões que o rodeiam. A artroscopia do tornozelo permite, através de pequenas incisões na pele de apenas 0,5cm, inserir o artroscópio de forma a examinar toda a articulação e tratar uma grande diversidade de lesões. A tenoscopia, também através de pequenas incisões na pele de apenas 0,5cm, consiste na inserção do artroscópio na bainha tendinosa permitindo tratar, também de forma minimamente invasiva, patologia dos tendões do longo e curto peroniais, tendão de Aquiles, tendão tibial posterior, longo flexor dos dedos ou longo flexor do hallux.

Síndromes de Dor / Conflito do Tornozelo

São geralmente sequelas de eventos traumáticos, nomeadamente da entorse ou de traumatismos repetitivos no tornozelo. São causa frequente de dor crónica e incapacitante tanto para actividades desportivas como, em casos mais graves, para as actividades normais do quotidiano. A dor é provocada pela compressão patológica de estruturas anatómicas entre duas peças ósseas, geralmente a tíbia e o astrágalo.

Dividem-se em conflitos de partes moles ou conflitos ósseos e podem-se localizar a nível anterior ou posterior do tornozelo. O diagnóstico é clínico complementado com radiologia simples, Ressonância Magnética Nuclear (RMN) ou Tomografia Computorizada (TC).

A artroscopia do tornozelo permite eliminar o conflito ósseo ou de partes moles, ao remover as estruturas que provocam dor.

Instabilidade do Tornozelo

A entorse do tornozelo é um evento traumático frequente, com maior incidência na população desportiva. Geralmente afecta o complexo ligamentar externo, mas poderá ocorrer lesão concomitante do complexo ligamentar interno, tendões peroniais ou da sindesmose tibioperonial distal. Se não for abordada de forma correcta, pode deixar sequelas como dor, derrame articular e instabilidade, ou seja, sensação de falha recorrente do tornozelo. O diagnóstico é clínico complementado com radiologia simples, Ressonância Magnética Nuclear (RMN) ou Tomografia Computorizada (TC).

 

A artroscopia do tornozelo é um procedimento útil em todos os doentes em que está planeada a reparação ligamentar externa e/ou interna. Permite, para além de uma avaliação dinâmica do tornozelo sob anestesia, a reparação de patologia intra-articular associada (como o tratamento do conflito anterior, lesão osteocondral, lesões dos tendões peroniais ou exérese de corpos livres).

Lesão Osteocondral do Astrágalo

É uma das patologias mais frequentes a afectar o tornozelo. Corresponde a uma lesão que envolve o osso (“osteo”) e a cartilagem (“condral”). Habitualmente surge após traumatismos do tornozelo. A dor é o sintoma mais frequente, a que se pode associar crepitação, derrame articular ou bloqueio articular. O diagnóstico é clínico complementado com radiologia simples, Ressonância Magnética Nuclear (RMN) ou Tomografia Computorizada (TC).

A artroscopia do tornozelo permite tratar a grande maioria destas lesões de forma eficaz. Existem diversas opções terapêuticas, que devem ser individualizadas para cada doente.

Lesões Tendinosas

As lesões dos tendões que envolvem o tornozelo têm causas diversas, desde traumatismos a alterações estruturas do tornozelo e pé. A dor é o sintoma mais frequente, provocada por proliferação de sinovial na bainha do tendão (tenossinovite), rotura tendinosa parcial ou total, a que se pode associar instabilidade e derrame local. O diagnóstico é clínico complementado com radiologia simples, Ressonância Magnética Nuclear (RMN) ou Tomografia Computorizada (TC), e posteriormente confirmado durante a tenoscopia.

A tenoscopia, através de pequenas incisões na pele de apenas 0,5cm, permite identificar e remover as estruturas que provocam dor, sendo útil como procedimento isolado ou em conjugação com cirurgia aberta.

Prótese do Tornozelo

O que é a artrose do Tornozelo ?

 

O termo “artrose” significa degenerescência (destruição) de uma articulação. A artrose do tornozelo surge geralmente alguns anos após fracturas do tornozelo ou do pilão tibial, mas também em caso de instabilidade crónica do tornozelo não tratada ou em casos avançados de pé plano ou pé cavo não corrigidos. Menos frequentemente, pode surgir como consequência de doença sistémica como, por exemplo, na artrite reumatóide. A artrose pode envolver parcialmente ou totalmente a articulação do tornozelo e, secundariamente, o pé.

A artrose do tornozelo decorre com perda de cartilagem articular, formação de osteófitos (bicos de papagaio) e deformação óssea. Provoca perda de mobilidade, dor e claudicação.

A cirurgia deve ser, preferencialmente, conservadora da articulação. Nos casos em que tal não seja possível, opta-se pela fixação (artrodese) ou substituição (prótese) do tornozelo.

 

Procedimentos conservadores da articulação

Artroscopia do tornozelo, em que se procede a sinovectomia alargada, exérese de corpos livres e osteófitos e tratamento de

lesões condrais passíveis de tratamento artroscópico.

Osteotomias supramaleolares ou do calcâneo, em que se pretende a reorientação do eixo de carga do tornozelo nos planos frontal, sagital e axial. Para tal, realizam-se cortes ósseos e fixação com placas ou parafusos, geralmente com aporte de enxerto ósseo.

Artrodese do Tornozelo

Consiste na fixação do tornozelo através de placas e/ou parafusos, com ou sem recurso a enxerto ósseo. A fixação elimina a mobilidade do tornozelo, o que é geralmente bem tolerado pelo doente, pela adaptação que ocorre, nomeadamente

na articulação subastragalina (entre o astrágalo e o calcâneo).

Recentemente, esta técnica tem vindo a ser efectuada por via totalmente artroscópica. A taxa de sucesso da via artroscópica iguala e, em certos casos, supera a cirurgia convencional, pois ao realizar duas pequenas incisões de 0,5cm, é possível preservar a biologia e manter um ambiente local propício à consolidação.

 

O que é uma Prótese do Tornozelo?

Uma prótese é um componente artificial que substitui uma parte anatómica.

A prótese implantada é metálica e os componentes que articulam variam. Implica um alinhamento adequado do membro inferior, assim como complexos ligamentares competentes, para permitir maior estabilidade e longevidade da prótese.

É uma excelente opção cirúrgica que traz normalmente uma melhoria significativa das queixas, funcionalidade e, exceptuando determinadas complicações infrequentes, tem como objectivo devolver uma vida normal ao doente.

-Material: as próteses são normalmente de ligas metálicas ou de titânio.

-Componentes: a prótese tem habitualmente, um componente tibial que fixa na parte inferior da tíbia e um componente astragalino que fixa distalmente no astrágalo. Entre as duas superfícies metálicas, interpõe-se um componente de polietileno (um tipo especial de plástico) que vai articular as componentes metálicas tibial e astragalina.

-Fixação: a prótese metálica fixa-se ao osso geralmente de uma forma não cimentada.

-Superfícies de contacto: os materiais escolhidos para funcionar como superfícies de deslizamento são muito importantes porque vão determinar o “desgaste” com o passar do tempo e utilização.

-Qual a “marca” da prótese: são  várias  as empresas a nível mundial que produzem as próteses. A escolha desta deve ser baseada na qualidade dos estudos científicos que sustentam a sua eficácia e segurança.

 

Cirurgia Percutânea (mini-invasiva) do Pé

A cirurgia percutânea permite corrigir várias deformidades do pé através da pequenas incisões na pele (menos de 0,5cm). É uma técnica minimamente invasiva, que usa instrumentos específicos e em que habitualmente não é necessário o uso de parafusos para fixação óssea. 

As vantagens desta técnica incluem a menor agressão cirúrgica, com menos dor e uma recuperação mais rápida após a cirurgia.

As indicações mais frequentes para esta técnica são o Hallux Valgus (“joanete”), dedos em garra e metatarsalgias (dor na planta do pé).

Hallux Valgus

 

É a causa mais frequente para consulta especializada de pé e tornozelo a nível mundial. Corresponde a uma deformidade complexa em que ocorre desvio externo/valgo do hallux (primeiro dedo), daí a denominação Hallux Valgus, da qual resulta geralmente uma proeminência óssea interna (o “joanete”). Afecta mais o sexo feminino, a prevalência aumenta com a idade e a sua etiologia é multifactorial, envolvendo desde factores genéticos até ao calçado. O diagnóstico é clínico complementado com radiologia simples em carga.

O tratamento cirúrgico do Hallux Valgus implica geralmente uma conjugação de procedimentos ósseos e procedimentos tendinosos. Para a fixação óssea na nova posição, usam-se parafusos ou grampos metálicos, material biocompatível que não necessita de ser extraído.

Actualmente, é possível tratar muitos destes casos de uma forma minimamente invasiva. A cirurgia percutânea permite corrigir várias deformidades do pé através da pequenas incisões na pele (menos de 0,5cm). É uma técnica minimamente invasiva, que usa instrumentos específicos e em que habitualmente não é necessário o uso de parafusos para fixação óssea. 

As vantagens desta técnica incluem a menor agressão cirúrgica, com menos dor e uma recuperação mais rápida após a cirurgia.

 

Metatarsalgia e Neuroma de Morton

 

Corresponde a dor na região metatársica, a maior parte das vezes na planta do pé. A sua etiologia é diversa, desde causas genéticas a biomecânicas.

O Neuroma de Morton resulta da compressão de um nervo interdigital, que leva a uma neurite local. Provoca dor na planta do pé que se pode estender até aos dedos, sendo por vezes incapacitante para o uso de calçado do quotidiano.

O diagnóstico é clínico complementado com radiologia simples, Ressonância Magnética Nuclear (RMN) ou Tomografia Computorizada (TC). O tratamento deve ser individualizado para cada doente.

 

 

Dedos em Garra

 

Patologia frequente do antepé, geralmente associada a um Hallux Valgus. Correspondem a deformidade dos dedos menores, caracterizadas por deformidade inicialmente flexível mas que pode evoluir para rigidez. Provoca dor pela inflamação e calosidades, que incomodam sobretudo com uso de calçado fechado. O diagnóstico é clínico complementado com radiologia simples em carga. O tratamento deve ser individualizado para cada doente.

Outras Patologias

Hallux Rigidus

Corresponde à artrose da primeira articulação metatarsofalângica, envolvendo o primeiro metatarso assim como o hallux. A sua etiologia é multifactorial, destacando-se o aumento do comprimento e/ou elevação do primeiro metatarso, assim como factores genéticos ou traumáticos. Provoca perda de mobilidade, dor e claudicação. O diagnóstico é clínico complementado com radiologia simples em carga.

A cirurgia deve ser, preferencialmente, conservadora da articulação.  Para tal, existem uma série de osteotomias (cortes ósseos) a nível do primeiro metatarso e da primeira falange que permitem descomprimir a articulação, diminuindo a dor e aumentando a mobilidade articular. Nos casos em que tal não seja possível, opta-se pela fixação (artrodese) ou substituição (prótese) da primeira metatarsofalângica.

 

Pé Plano e Pé cavo

 

São também uma das causas mais frequentes para consulta especializada de pé e tornozelo a nível mundial. Correspondem a deformidades complexas em que ocorre perda da arcada plantar (pé plano) ou acentuação da arcada plantar (pé cavo). A sua etiologia é multifactorial, envolvendo desde factores genéticos a traumatismos do pé ou tornozelo.

O diagnóstico é clínico com apoio imagiológico, nomeadamente radiologia simples (com incidências específicas para o estudo desta patologia), Ressonância Magnética Nuclear (RMN) ou Tomografia Computorizada (TC).

O tratamento cirúrgico do pé plano e do pé cavo implica geralmente uma conjugação de procedimentos ósseos e procedimentos tendinosos. O objectivo da cirurgia é devolver ao doente um pé plantígrado e indolor, capaz de responder às solicitações do quotidiano.

 

Fasceíte Plantar / Esporão do Calcâneo

 

É uma das causas mais frequentes de dor no pé. Corresponde à inflamação da fascia plantar, que é uma banda de tecido fibroso que vai do calcanhar até aos dedos. Provoca dor no calcanhar, mais frequentemente pela manhã quando se coloca o pé no chão pela primeira vez, mas em casos mais graves surge em qualquer altura do dia.

Se não for tratada, pode levar a dor crónica no calcanhar, com a formação de um esporão do calcâneo, que corresponde à calcificação da zona inflamada da fáscia plantar.

O tratamento deve ser individualizado para cada doente e implica geralmente o uso de procedimentos tendinosos. O objectivo é devolver ao doente um pé indolor, capaz de responder às solicitações do quotidiano.

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© 2018 by Artroscopia Oporto

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